quarta-feira, 6 de junho de 2012


QUALQUER SEMELHANÇA COM PESSOAS OU FATOS REAIS TERÁ SIDO MERA COINCIDÊNCIA... OU NÃO.

Em 2010 fiz um trabalho para meu curso de pós-graduação em Comunicação Estratégica. A tarefa era analisar o filme “A Vila” na perspectiva da comunicação social e de grupos afins. Eu já tinha assistido ao filme. Mas desta vez, tinha que perceber a influência e os impactos da comunicação de liderança E, de liderança de grupo sobre pessoas e ambientes. Como sou cristão e comunicador, prestei bastante atenção no enredo do filme. E o que eu quero postar aqui foi pensado há dois anos, mas com suas ocorrências presentes em nossos dias. Infelizmente isso, ainda é visto em vários tipos de comunidades. Sejam elas cristãs ou não.
Em resumo, o filme trata da história de nove pessoas que resolveram se afugentar do mundo urbano devido à violência, dor, sofrimento e toda a falta de esperança que os grandes centros podem nos trazer. Juntos, eles fundam um vilarejo no qual criam suas famílias isoladas de qualquer contato com o mundo externo.
Para manter o isolamento, esse grupo, chamado pelos habitantes da vila de “Os Anciões”, cria uma lenda sobre monstros que habitam a floresta que cerca o vilarejo. Todos os que entrarem na floresta serão mortos pelos seres chamados “Aqueles de quem não mencionamos”.
No filme, a vila é uma tentativa de criação de um local, um mundo ou uma realidade sem maldade, sem distorções, onde somente o bem e a inocência tenham lugar. Um lugar puro em meio à impureza do mundo e da realidade humana. Porém, o que eles criam é uma realidade a parte, sustentada pelo terror e mentira com o intuito de encobrir a realidade comum e se afastar de uma sociedade violenta.
O filme é uma análise critica ao protecionismo paterno/materno que isola crianças, adolescentes e jovens do convívio social para resguardar o bem estar dos mesmos. Cumpre ressaltar que o dia a dia da vila esta truncado no medo.
O que a vila nos ensina?
Algumas coisas que são expostas no filme são de grande importância, principalmente para entendermos como podemos criar nossas “gaiolas” com as melhores intenções e ainda assim não alcançarmos nossos objetivos. Mas a que custo? Na vila as pessoas morrem de doenças que, com devido tratamento médico, poderiam ser curadas. Porém, as vidas são sacrificadas em nome do compromisso de manter a Vila incontaminada do mundo externo. O lugar de esperança é também o lugar da morte, do sacrifício tolo. A vida não estava acima da Vila.
     Podemos até procurar proteção criando “condomínios fechados”, “altos muros” e “fortalezas” para nos afastarmos do fruto que nós mesmos ajudamos a criar. Mas levamos o inimigo dentro de nós para dentro da fortaleza, já que é parte de nossa natureza humana. Como fortalecer o amor e a inocência em meio à mentira? Como preservar a inocência e proteção de nossos filhos sem ensiná-los a lidar com suas próprias destrutividades internas? Quanto tempo podemos afastá-los ou apartá-los do perigo, isolando-os da realidade humana à qual pertencem?
    Por fim, o filme mostra uma saída no amor, que move montanhas, na cegueira que enxerga com os olhos da sabedoria dos sentimentos, e da coragem que se fortalece não no aparente bom senso, mas no ato humano de agir e se arriscar por amor.
    Para os que fazem da sua vida uma Vila, todo o resto é ruim, e somente os seus são bons. A forma generalizada com a qual os habitantes da vila chamam os monstros da floresta revela a sua incapacidade de discernimento. Quanto mais isolados, mais incapazes ficamos. Todos acabam se tornando aos nossos olhos “Aqueles de quem não mencionamos", os monstros que precisamos para justificar nossa Vila. Quem não faz parte da nossa Vila não é digno de ser mencionado, não possui nome, identidade ou mesmo importância.
    Pensemos nisso.

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